A política de Afonso Bezerra assistiu, nos últimos dias, a
um movimento que desafia tanto a lógica das alianças quanto a memória do
eleitorado. O prefeito Haroldo de Jango, em uma manobra que transita entre o
desespero de palanque e o pragmatismo cego, abriu as portas de seu grupo para o
famoso Pé Frio — figura que carrega consigo o folclórico, porém pesado, epíteto
de "Pé Frio".
O que se vê não é uma união de projetos por um município
melhor, mas uma aritmética de conveniência que ignora a coerência ideológica.
Haroldo, ao abraçar o ex-candidato, parece acreditar que a política é um jogo
de soma simples, onde qualquer adesão é lucro. No entanto, esquece que certas
alianças subtraem mais credibilidade do que somam votos.
A chegada do Pé Frio ao governismo soa como um recibo de
insegurança da atual gestão. Por que buscar o apoio de quem, historicamente,
esteve do outro lado e carrega o estigma da derrota? Para o povo, a mensagem é
clara: o "bonde" de Haroldo de Jango agora aceita passageiros de
qualquer origem, desde que ajudem a manter o status quo.
Resta saber se o apelido fará jus à fama no próximo pleito. Se a política é destino, Haroldo pode estar importando para dentro de seu quintal justamente o elemento que faltava para esfriar o entusiasmo de sua base. Em Afonso Bezerra, o jogo esquentou, mas o risco de um "resfriado" político nunca foi tão real.

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