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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Assú: cartaz com ofensas a bolsonaristas expõe contradição da esquerda entre discurso de tolerância e respeito


Quem tanto prega respeito, inclusão e tolerância na teoria precisa demonstrar esses mesmos valores na prática. Um cartaz exibido durante uma movimentação política em Assú, no Vale do Açu, chamou atenção pelo conteúdo ofensivo direcionado aos apoiadores de Flávio Bolsonaro.

Na imagem, duas mulheres aparecem segurando um cartaz com símbolos associados à conscientização sobre o autismo e a expressão “Mãe de Autistas”. Entretanto, a mensagem também traz palavras de baixo calão e uma referência agressiva a bolsonaristas e publicado em algumas pagina de pessoas que deveriam da exemplo.

O conteúdo provoca uma reflexão que vai muito além das preferências partidárias: como alguém pode defender o respeito às diferenças e, ao mesmo tempo, utilizar ofensas contra pessoas simplesmente por pensarem diferente?

A luta pela inclusão, pelo reconhecimento e pelos direitos das pessoas autistas é uma causa legítima, que merece respeito e apoio de toda a sociedade. Justamente por sua importância, essa bandeira não deveria ser utilizada como instrumento de hostilidade ou ataques generalizados em disputas políticas.

É contraditório cobrar sensibilidade, empatia e respeito da sociedade enquanto se exibe publicamente uma mensagem que desrespeita um grupo de pessoas por suas convicções políticas. (VEJA O QUE DIZIA LULA)

Não é necessário concordar o Bolsonaro, com seus apoiadores ou com qualquer outro grupo político para reconhecer que o respeito deve ser uma via de mão dupla.

A democracia garante o direito de manifestação, de protesto e de crítica. Mas existe uma diferença entre discordar de ideias e recorrer a expressões ofensivas contra quem as defende.

O episódio também levanta uma questão importante: que exemplo de convivência democrática estamos transmitindo quando símbolos de uma causa tão importante quanto a inclusão das pessoas autistas aparecem ao lado de mensagens agressivas?

Respeito não pode ser seletivo. Empatia não pode depender de preferência partidária. E tolerância não pode ser uma exigência dirigida apenas aos adversários.

O Brasil já enfrenta uma polarização política intensa. Alimentar essa divisão com insultos não contribui para o diálogo, não fortalece causas sociais e tampouco ajuda a construir uma sociedade mais justa e inclusiva.

É preciso deixar claro que o conteúdo de um cartaz não representa, necessariamente, o pensamento das mães de autistas, das famílias ou das entidades que lutam diariamente pelos direitos dessas pessoas.

A crítica é direcionada exclusivamente à mensagem ofensiva exibida durante a movimentação em Assú.

Quem exige respeito precisa também respeitar. Quem defende tolerância precisa praticá-la. Afinal, não se combate a intolerância com mais intolerância.

A verdadeira inclusão começa quando aprendemos a conviver com as diferenças, inclusive com aquelas que contrariam nossas próprias convicções.

Focoelho — Saiu no Focoelho!

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