domingo, 11 de janeiro de 2026

FUNDO LIGADO A FRAUDES DO BANCO MASTER INVESTIU EM EMPRESAS DE PARENTES DE DIAS TOFFOLI, APONTA INVESTIGAÇÃO


Duas empresas com vínculos familiares ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à complexa teia de fraudes investigadas no escândalo do Banco Master. A informação consta em documentos analisados pela Folha de S.Paulo.

O fundo em questão, chamado Arleen, manteve participações na Tayayá Administração e Participações — responsável pelo resort Tayayá Aquaparque, em Ribeirão Claro (PR) — e na DGEP Empreendimentos, incorporadora que tinha como sócio um primo de Toffoli. Ambas as empresas apresentam ligações diretas com familiares do ministro.

A conexão com o caso Banco Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos de investimento. O Arleen era cotista do RWM Plus, que recebeu aportes de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis fundos apontados pelo Banco Central como integrantes do esquema de fraudes do banco controlado por Daniel Vorcaro. Apesar disso, o fundo Arleen não é alvo direto das investigações.

Todos esses fundos eram administrados pela Reag, empresa investigada na operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro para a facção criminosa PCC.

Procurado pela reportagem, o ministro Dias Toffoli não se manifestou sobre possíveis conflitos de interesse. Familiares do ministro, a Reag e o Banco Master também não responderam aos questionamentos.

Com apenas um cotista, o fundo Arleen foi encerrado no fim de 2025. Seu último balanço indicava investimentos concentrados em apenas quatro ativos, incluindo as duas empresas ligadas à família Toffoli e o fundo RWM Plus.

De acordo com investigadores, essa estrutura de fundos teria sido usada para desviar recursos do Banco Master por meio de empréstimos fictícios e investimentos em ativos sem liquidez, com valores inflados artificialmente.

O caso ganha contornos ainda mais sensíveis porque Dias Toffoli é o relator do inquérito no STF sobre as fraudes do Banco Master. Desde que assumiu o processo, o ministro manteve o caso sob sigilo e tomou decisões que geraram críticas de políticos e agentes do mercado, como a convocação de uma acareação envolvendo um diretor do Banco Central.

O Tayayá Aquaparque, inaugurado em 2008, já contou com a participação societária de irmãos e primos do ministro. Em 2017, Toffoli chegou a ser homenageado pela Câmara de Vereadores de Ribeirão Claro por sua contribuição para o desenvolvimento turístico do município.

Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que o fundo Arleen investiu até R$ 20 milhões no Tayayá e mais de R$ 16 milhões na DGEP. Uma auditoria realizada em 2025 apontou ausência de documentos, inconsistências contábeis e levou os auditores a se recusarem a emitir parecer sobre o fundo.

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