Esses artistas adoram falar em liberdade, democracia e consciência política, mas pouco gostam de discutir a dependência de incentivos públicos que ajudam a financiar projetos culturais.
A crítica é inevitável: é muito fácil fazer militância política quando existe uma estrutura estatal ajudando a sustentar o setor. Difícil é conquistar o público, lotar espaços, vender ingressos e provar que o talento consegue sobreviver sem precisar bater à porta do governo.
A Lei Rouanet possui regras próprias e não significa pagamento direto do governo a artistas. Ainda assim, o modelo utiliza renúncia fiscal e movimenta bilhões em projetos culturais, o que mantém aberta a discussão sobre concentração de recursos, critérios e dependência.
Por isso, quando artistas entram em campanha para defender o governo, o cidadão também tem o direito de perguntar: é convicção política ou defesa de um modelo de financiamento que interessa ao próprio setor?
Quem vive de aplausos deveria estar preparado também para ouvir as vaias.
Cultura não pode virar cabide de privilégios, palanque político ou uma eterna dependência do dinheiro incentivado pelo Estado.

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