Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Vorcaro mantinha um contrato de R$ 500 mil mensais com Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, conhecido como Chiquinho Feitosa, que à época era cunhado do ministro Gilmar Mendes. O acordo previa ainda um pagamento adicional de R$ 800 mil na primeira parcela. Chiquinho reconheceu posteriormente que prestou serviços à empresa Super Empreendimentos, ligada a Vorcaro, embora tenha afirmado que a relação ocorreu por um período curto.
As mensagens mostram que Feitosa tratava com Vorcaro de assuntos de interesse do empresário e, em determinado momento, teria aconselhado o ex-banqueiro a estabelecer uma “relação direta” com Gilmar Mendes.
Em abril de 2024, Vorcaro chegou a se reunir pessoalmente com Gilmar Mendes no gabinete do ministro, no STF. O encontro ocorreu em 11 de abril e envolveu uma disputa bilionária relacionada a precatórios de empresas do setor sucroalcooleiro. O Banco Master possuía bilhões de reais em créditos ligados a essas empresas e tinha interesse direto no resultado dos processos.
Segundo informações divulgadas pela Folha, a Advocacia-Geral da União (AGU) estimava que o conjunto das disputas envolvendo as usinas poderia representar impacto de até R$ 145 bilhões para a União, caso as empresas obtivessem decisões favoráveis.
Um dos processos de interesse de Vorcaro envolvia a Destilaria Alcídia S/A, cujos créditos haviam sido adquiridos pelo Banco Master. Apesar da reunião, Gilmar Mendes posteriormente votou contra a tese defendida pela empresa e, segundo o gabinete do ministro, também adotou posições contrárias ao pagamento de precatórios em outros processos semelhantes.
As mensagens também registram conversas nas quais Chiquinho Feitosa tratava de assuntos relacionados aos interesses de Vorcaro no STF e em outras áreas de Brasília. Uma das conversas mencionadas nas reportagens faz referência a um jantar com Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, além de assuntos classificados como de “nosso interesse”. Feitosa, entretanto, contesta essa mensagem e afirma que nunca esteve com Zanin.
O gabinete de Gilmar Mendes afirmou que o ministro não tinha conhecimento das tratativas comerciais entre Vorcaro e Chiquinho Feitosa. A assessoria também informou que a audiência de 11 de abril ocorreu em ambiente institucional, no gabinete do STF, com a presença de advogados do Banco Master.
O episódio, portanto, reúne documentos e mensagens que mostram a contratação de um então parente por afinidade de um ministro do STF, a tentativa de aproximação de Vorcaro com Gilmar Mendes e uma reunião no próprio Supremo para tratar de uma causa de grande impacto financeiro. Ao mesmo tempo, as reportagens registram que, nos processos citados, Gilmar Mendes acabou votando contra os interesses do Banco Master.
As novas revelações passam a integrar o conjunto de informações investigadas no caso Banco Master e ampliam o conhecimento sobre a rede de relações mantida por Daniel Vorcaro em Brasília.

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