Um pen drive que seria entregue ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, enquanto ele estava custodiado na Papudinha, em Brasília, foi retido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) após uma inspeção identificar arquivos que não correspondiam ao conteúdo previamente informado à administração da unidade.
Segundo documentos que tiveram o sigilo retirado no âmbito das investigações relacionadas ao caso Master, o dispositivo tinha capacidade de 64 GB e deveria conter somente músicas. A entrada de aparelhos destinados à reprodução musical era permitida na unidade, desde que o conteúdo passasse previamente pela análise dos responsáveis pelo presídio.
Durante a inspeção, porém, os policiais identificaram o que foi descrito nos documentos como “arquivos incompatíveis”. O pen drive acabou sendo impedido de chegar às mãos de Vorcaro.
O episódio foi comunicado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em julho. Dois dias depois, em 15 de julho, agentes da Polícia Federal estiveram na Papudinha e recolheram oficialmente o dispositivo.
PF quer descobrir origem e histórico dos arquivos
O pen drive foi encaminhado ao Instituto Nacional de Criminalística, onde deverá passar por análise técnica.
Entre os procedimentos solicitados pela Polícia Federal estão a extração e identificação de possíveis e-mails, planilhas, documentos de texto e outros dados armazenados no equipamento.
Os peritos também foram orientados a verificar registros relacionados à alteração dos arquivos e da pasta “trash”, utilizada como lixeira, além de tentar identificar computadores ou usuários que tenham manipulado o dispositivo.
A perícia também busca informações técnicas que possam ajudar a estabelecer o histórico de utilização do pen drive.
Conteúdo ainda não foi divulgado
Apesar da apreensão, os documentos públicos disponíveis até agora não informam exatamente quais arquivos foram considerados incompatíveis pela PMDF.
Também não foi divulgado quem levou o pen drive até a unidade prisional.
Por isso, até o momento, não é possível afirmar que o dispositivo continha material criminoso ou que houve manipulação irregular de arquivos. O esclarecimento depende da análise técnica realizada pela Polícia Federal.
O caso ganhou publicidade após André Mendonça retirar o sigilo de documentos relacionados às investigações do Banco Master.