A governadora Fátima Bezerra recebeu nesta terça-feira (12)
o Plano Estratégico de Crescimento Verde do Rio Grande do Norte. O documento
foi entregue pela Fundação IDH, uma organização civil holandesa, e estabelece
uma agenda de desenvolvimento que integra geração de renda, conservação
ambiental e inclusão social em todo o estado.
O plano é fruto de uma metodologia participativa liderada
em conjunto com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae) do Rio Grande do Norte. A elaboração do texto envolveu a realização de
oficinas, entrevistas e consultas com representantes do setor produtivo,
universidades, organizações sociais, gestores públicos e lideranças
territoriais.
A governadora Fátima Bezerra ressaltou que a agenda já
integra políticas públicas praticadas pela atual gestão, como a inclusão
socioprodutiva de estabelecimentos de agricultura familiar. “É um trabalho
muito consistente, que reflete a realidade e dialoga com a nossa situação,
tanto do ponto de vista do potencial que o Estado tem, quanto dos avanços que
já conseguimos e das lacunas que precisamos superar. O documento guarda
concepção que já norteia nossa visão para o Rio Grande do Norte:
sustentabilidade e inclusão social”, disse ela.
O diagnóstico apresentado mapeou as potencialidades
econômicas e os desafios estruturais das dez regiões que compõem o estado. As
diretrizes propostas buscam fundamentar políticas públicas e ações do setor
privado voltadas à sustentabilidade e ao aproveitamento dos recursos naturais
potiguares.
A secretária de Desenvolvimento Rural e da Agricultura
Familiar, Cláudia Suassuna, destacou que o material técnico permitirá o
fortalecimento de parcerias entre as secretarias de Estado e o setor privado.
“Podemos atuar mais estrategicamente para agregar valor aos potenciais da
agricultura familiar potiguar”, salientou.
Outro eixo central do documento é a transição energética,
com destaque para os setores eólico, solar e de hidrogênio verde. A proposta
busca garantir que os benefícios econômicos da expansão energética sejam
compartilhados com os territórios rurais e comunidades tradicionais, promovendo
geração distribuída, qualificação profissional e empregos verdes.
O diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti,
afirmou que o estudo produzido servirá como guia para o desenvolvimento
sustentável potiguar. “O objetivo é que o material forneça subsídios para a
tomada de decisões administrativas e econômicas de longo prazo”, pontuou.
A gerente do Programa Raízes da Caatinga da Fundação IDH no
Brasil, Grazielle Cardoso, destaca que a agenda estratégica estabelece
mecanismos de planejamento, governança e financiamento multissetorial,
conectando poder público, setor produtivo, universidades e sociedade civil em
torno de soluções de desenvolvimento considerando também a eficiência
climática.
“Esta parceria com o Governo do Rio Grande do Norte reforça
uma estratégia estruturante para o desenvolvimento territorial sustentável do
Estado, transformando vocações produtivas locais em oportunidades concretas de
inovação, inclusão social e crescimento econômico de longo prazo”, ressaltou.
Segundo Mona Nóbrega, gerente da Unidade de Desenvolvimento
Rural do Sebrae, além da metodologia participativa, outro grande destaque do
plano é o fato de ter considerações específicas para cada um dos 10 territórios
do estado. “Esse instrumento técnico serve justamente para embasar ações
concretas de desenvolvimento do estado. Ele converge para ações que visam uma
transição justa e resiliente do território potiguar. Nosso objetivo é preparar
o Rio Grande do Norte como protagonista dessa agenda de transição verde”,
complementou.
Cadeias produtivas sustentáveis
A proposta do Plano Estratégico de Crescimento Verde está
ancorada no conceito PPI — Produção, Proteção e Inclusão —, modelo que já é
adotado no município de Apodi, que integra crescimento econômico, preservação
ambiental e desenvolvimento social. Na prática, o plano prioriza cadeias
produtivas sustentáveis de alto impacto econômico e social, ao mesmo tempo em
que fortalece políticas de conservação da Caatinga, uso eficiente da água e
recuperação de áreas degradadas.
Entre os principais vetores econômicos contemplados está a
fruticultura irrigada sustentável, considerada uma das maiores vocações
agroindustriais do estado. O Rio Grande do Norte responde por cerca de 70% da
produção nacional de melão, especialmente nas regiões do Vale do Açu,
Mossoró-Apodi e Mato Grande.
Outro destaque é a retomada da tradição algodoeira potiguar
por meio do fortalecimento do algodão agroecológico e da indústria têxtil
consciente. A estratégia apoia sistemas produtivos sem uso de químicos,
conectando agricultura familiar, moda sustentável e novos mercados
consumidores.
O plano aposta ainda no fortalecimento da pesca marítima,
piscicultura e carcinicultura sustentável, impulsionadas também pela
estruturação do novo Terminal Pesqueiro de Natal, bem como na valorização da
cadeia queijeira potiguar, com foco nos queijos artesanais premium e no leite
A2A2 como diferenciais competitivos.
Atividades tradicionais do semiárido, como caprinocultura e
ovinocultura, também integram a agenda de crescimento verde, com foco em
melhoramento genético, bem-estar animal e agregação de valor à produção de
leite e carne.
*Com informações da Fundação IDH