Em Assú, durante períodos da gestão de Ivan Júnior, moradores enfrentaram dificuldades para conseguir atendimento na área da saúde. Entre as reclamações que ficaram marcadas está a necessidade de pessoas chegarem de madrugada e enfrentarem filas para conseguir uma ficha e tentar marcar uma consulta no Centro Clínico.
Para quem viveu aquela realidade, a pergunta é inevitável: antes de apontar o dedo para a gestão de outra cidade, não seria necessário olhar primeiro para o próprio passado administrativo?
E não se trata apenas de lembranças ou críticas políticas. O nome de Ivan Lopes Júnior também aparece em processos no Tribunal de Contas da União relacionados à Prefeitura de Assú. Em decisão do TCU, foram analisadas irregularidades na aplicação de recursos do Termo de Compromisso nº 42/2009, destinados a ações emergenciais após fortes chuvas no município.
O caso envolve recursos públicos e merece ser lembrado justamente quando o ex-prefeito assume o papel de crítico de administrações de outras cidades.
A questão não é impedir Ivan Júnior de fazer oposição ou apresentar sua visão sobre os problemas dos municípios. Todo político tem esse direito. Mas, quando se decide cobrar gestores públicos, também é legítimo que a população cobre coerência, transparência e que o político explique os problemas e questionamentos relacionados às administrações que comandou.
A política não pode funcionar com dois pesos e duas medidas: quando é na cidade dos outros, tudo vira motivo de crítica; quando se trata da própria história, o assunto não pode ser simplesmente esquecido.
Antes de criticar a gestão alheia, talvez seja hora de Ivan Júnior responder à população de Assú: o que ele tem a dizer sobre as filas, as dificuldades enfrentadas pelos usuários da saúde e os questionamentos levantados pelos órgãos de controle sobre recursos públicos durante sua passagem pela Prefeitura?
Porque, para quem pretende voltar ao cenário eleitoral e pedir novamente o voto da população, o passado também precisa entrar no debate.


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