A Polícia Civil de São Paulo afirma ter encontrado
novos elementos que reforçam a suspeita de ligação entre a advogada e
influenciadora digital Deolane Bezerra e integrantes do Primeiro Comando da
Capital (PCC), segundo relatório complementar da Operação Vérnix, deflagrada em
21 de maio.
De acordo com os investigadores, documentos apreendidos
durante a operação também reforçam a acusação do Ministério Público de que
empresas ligadas à influenciadora teriam sido usadas para lavar dinheiro
proveniente do crime organizado. Uma dessas empresas estaria registrada em um
imóvel simples em Martinópolis, município distante 136 quilômetros da capital.
Entre os materiais recolhidos, a polícia destaca uma caixa
de MDF encontrada em um endereço vinculado a Everton de Souza, conhecido como
“Player”, apontado pelos investigadores como operador financeiro do esquema. Na
tampa da caixa havia as inscrições “Dra. Deolane” e “O Justo Não se Justifica”.
Segundo a polícia, dentro dela foram encontrados R$ 7,8 mil em espécie.
No mesmo endereço, os agentes apreenderam uma máquina de
contar dinheiro e elásticos utilizados para organizar cédulas. Para a Polícia
Civil, os objetos indicariam movimentação frequente de dinheiro em espécie.
“O encontro de uma caixa personalizada com referência
direta a Deolane, localizada em imóvel vinculado a Everton e contendo
numerário, sugere vínculo de confiança, proximidade operacional ou
compartilhamento de interesses patrimoniais entre ambos”, afirma o relatório
policial.
Os investigadores também citam publicações feitas por
Deolane nas redes sociais. Segundo a polícia, a influenciadora divulgou uma
fotografia em um local relacionado a Everton de Souza.
Em outra frente da investigação, a Polícia Civil menciona
mensagens de uma ex-diarista de Deolane, acusada de furtar R$ 80 mil da
advogada, em que uma pessoa – supostamente ligada à influenciadora – teria
feito o alerta que esse valor era “dinheiro oriundo do crime”. Em uma das
mensagens reproduzidas pelos investigadores, ele diz: “Nós lava dinheiro com os
parceiro lá, a mãe do parceiro, o parceiro fecha com nós”.
Esse “parceiro”, segundo a polícia, seria Kayky Bezerra,
filho de Deolane.
“A partir dessa construção verbal, é possível extrair que o
‘parceiro’ mencionado corresponde a Kayky, filho de Deolane Bezerra Santos, uma
vez que o contexto integral das ameaças está relacionado ao suposto
desaparecimento de valores no imóvel de um dos filhos da investigada, bem como
às cobranças feitas em nome do núcleo familiar”, aponta a polícia civil.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público sustenta que
uma transportadora teria sido utilizada para ocultar recursos de origem
ilícita. Os investigadores afirmam que os novos elementos apontam para a
possível utilização de outras empresas com a mesma finalidade.
Outro documento considerado relevante pela polícia é um
arquivo denominado “Cronograma Estratégico e Estruturação Corporativa – Grupo
Deolane”. Segundo os investigadores, o material detalha alterações societárias,
reorganizações empresariais e projetos de expansão comercial.
Entre as empresas mencionadas no documento está a DB Santos
Apoio Administrativo e Financeiro Ltda., registrada na Rua Benvenido Esposito,
sala 16. A Polícia Civil afirma ter constatado que outras empresas também
funcionam no mesmo endereço.
A decisão dos Estados Unidos de classificar integrantes do
PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais lança
novos holofotes sobre investigações em andamento no Brasil. E o caso Deolane
pode ser o primeiro a ter uma ação efetiva dos EUA no país. (Fonte: O Antagonista).