Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram Daniel
Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, organizando festas, hospedagens,
viagens de jatinho e outras benesses para autoridades. Segundo O Globo,
especialistas avaliam que o banqueiro aprimorou uma estratégia de aproximação
com diferentes espaços institucionais na tentativa de ampliar sua influência e
obter vantagens.
Em um evento em Londres, autoridades foram reunidas para
degustação de uísque Macallan e charutos. Uma foto revelou a presença do
procurador-geral da República, Paulo Gonet, que não comentou o caso. A pessoas
próximas, Gonet afirma que a imagem não demonstra intimidade com Vorcaro.
As mensagens também mostram Vorcaro cuidando de detalhes de
hospedagens e orientando funcionários sobre o atendimento a autoridades. Em
conversas sobre a estadia do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, e seu grupo
durante o carnaval de 2025, o banqueiro discutiu a distribuição das
acomodações. O ministro afirmou que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem fez
pedidos a ele.
A PF aponta ainda que Vorcaro utilizava serviços da Prime
You, empresa de compartilhamento de bens de luxo como aeronaves, barcos, carros
esportivos e mansões, para distribuir agrados e buscar aproximação com
autoridades. Entre os bens operados pela empresa estava o jatinho utilizado
pelo ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, em uma
viagem ao Rio.
Em uma das mensagens, Vorcaro orientou uma funcionária:
“Não deixe de atender Barci”. O banqueiro mantinha contrato de R$ 130 milhões
com o escritório da advogada. A banca afirmou que utilizou serviços de táxi
aéreo de diferentes empresas e que as contratações seguem critérios
operacionais, sem vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores.
Outras conversas mostram Vorcaro determinando uma
“experiência completa” e “ultra VIP” para uma comitiva de Moraes e outros nove
convidados em um hotel de luxo em Campos do Jordão, incluindo cantor, cavalos e
seguranças.
Especialistas ouvidos pelo jornal apontam uma zona de
difícil delimitação entre questões éticas e situações que podem configurar
corrupção, dependendo das circunstâncias e da existência de eventual
contrapartida.