quarta-feira, 23 de setembro de 2026

PGR defende progressão de Débora do Batom para o semiaberto em caso do 8 de Janeiro


A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à progressão de regime de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. A manifestação foi apresentada nesta quarta-feira (23) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Débora foi condenada pela Primeira Turma do STF a 14 anos de prisão. O caso ganhou grande repercussão nacional porque ela escreveu com batom a frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça, localizada em frente ao prédio do Supremo, durante os acontecimentos daquele dia.

Na manifestação encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, a PGR entendeu que Débora já preenche o requisito temporal necessário para avançar de regime. Segundo os dados apresentados, ela contabiliza 1.287 dias de pena cumprida, nove dias além do período mínimo exigido para a progressão.

A Procuradoria também se posicionou favoravelmente ao reconhecimento de 212 dias de remição da pena, considerando atividades realizadas durante o cumprimento da condenação, entre elas trabalho, leitura e aprovação no Enem para pessoas privadas de liberdade. A PGR, porém, rejeitou parte adicional do pedido relacionada ao Enem de 2024 para evitar, segundo sua manifestação, duplicidade no benefício.

Débora está em prisão domiciliar desde março de 2025. A manifestação da PGR não significa que a progressão já tenha sido concedida: a decisão caberá a Alexandre de Moraes, que havia solicitado o parecer da Procuradoria antes de analisar o pedido apresentado pela defesa.

Alguns veículos classificaram a nova posição como um “recuo” da PGR. Tecnicamente, porém, é mais preciso dizer que o órgão deu parecer favorável à progressão de regime com base no cumprimento dos requisitos da execução penal. Isso não representa anulação da condenação nem absolvição de Débora.

O caso agora volta às mãos do STF. Caso Moraes acolha o parecer, Débora poderá progredir para o regime semiaberto, permanecendo válida a condenação imposta pela Corte. 

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