quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Depois entra o grosso: Lula dá com uma mão e tira com as duas; gás mais caro e reajuste do Bolsa Família a poucos dias da eleição em busca de votos


Faltando apenas 17 dias para o primeiro turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ciente de usa rejeição, anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691.

O anúncio, feito justamente na reta final da corrida eleitoral, já provoca questionamentos sobre o timing da medida. Para críticos do governo, trata-se de mais uma estratégia política para melhorar a imagem do presidente junto ao eleitorado de baixa renda justamente quando a eleição se aproxima.

A situação chama ainda mais atenção porque, no fim de agosto, a proposta de Orçamento de 2027 enviada ao Congresso não previa reajuste do Bolsa Família, mantendo o benefício mínimo em R$ 600.

Agora, poucas semanas depois, o governo anuncia uma correção de mais de 15%, com impacto estimado em R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. O governo afirma que o reajuste corresponde à reposição da inflação acumulada desde 2023.

A lembrança da picanha

O anúncio também reacende a memória das promessas feitas por Lula durante a campanha de 2022, quando a picanha se tornou um dos principais símbolos de seu discurso sobre recuperação do poder de compra do brasileiro.

Na política, benefícios, reajustes e anúncios econômicos realizados próximos às eleições inevitavelmente entram no debate eleitoral. E, neste caso, o calendário chama atenção: faltam apenas 17 dias para o eleitor ir às urnas.

A pergunta que fica é: por que o reajuste chegou justamente agora?

Para os críticos de Lula, a resposta estaria na estratégia eleitoral: entregar uma notícia positiva ao eleitor às vésperas da votação e tentar transformar o aumento do benefício em ganho político.

É a velha lógica da política em ano eleitoral: primeiro vem o anúncio, depois vem a conta.

E, para quem acompanha a política brasileira, fica o alerta: “depois entra o grosso” — porque aumento de benefício significa também aumento de despesas públicas nos anos seguintes.

O governo, por sua vez, sustenta que a medida é uma correção inflacionária e que o impacto será absorvido dentro das regras fiscais. Portanto, a intenção eleitoral do reajuste não está comprovada, mas o momento escolhido para anunciá-lo, a apenas 17 dias do primeiro turno, é um fato que certamente alimentará a disputa política.

Das “blusinhas” ao discurso eleitoral

Outro episódio que entra nessa discussão é a chamada “taxa das blusinhas”. Em 2024, o governo Lula sancionou a cobrança de 20% de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, medida que passou a pesar no bolso de quem fazia pequenas compras em plataformas estrangeiras.

Agora, às vésperas da eleição, o cenário mudou. Em maio de 2026, Lula editou uma medida provisória para zerar a cobrança e, no dia 10 de setembro, sancionou definitivamente a lei que acabou com o imposto federal para compras de até US$ 50. A sanção ocorreu 24 dias antes do primeiro turno.

Ou seja: a cobrança que havia sido implantada durante seu governo agora é retirada pelo próprio governo, justamente em um ano eleitoral. Lula chegou a defender publicamente o fim da taxação durante a campanha e pediu apoio político no Congresso para aprovar a medida.

No fim, caberá ao eleitor avaliar se enxerga o anúncio como uma correção necessária ou como parte da estratégia eleitoral do governo.

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