Segundo o Poder360, Mendonça passou a adotar medidas de segurança durante conversas consideradas reservadas. Visitantes eram orientados a deixar os celulares dentro de uma caixa blindada, capaz de bloquear sinais, antes dos encontros.
Além disso, o ministro teria passado a manter um sistema de som ligado durante as conversas, com música erudita tocando no ambiente, numa tentativa de dificultar eventuais captações de áudio.
A mudança de comportamento ocorreu depois que vieram à tona relatórios de inteligência produzidos pela PF sobre a atuação do ministro. De acordo com Mendonça, foram elaborados pelo menos seis relatórios entre 3 e 31 de agosto.
O ministro afirmou nesta terça-feira (8) que teria sido submetido a um “monitoramento sistemático” e ilegal por setores da inteligência da Polícia Federal. Em sua decisão, classificou o episódio como uma possível “arapongagem institucional” e comparou a situação ao cenário descrito no livro 1984, de George Orwell.
A reação de Mendonça foi além da mudança de hábitos. Nesta terça-feira, ele determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, além de determinar investigações sobre a produção dos relatórios.
Os documentos que deram origem à crise são questionados pelo próprio Mendonça. Segundo ele, os relatórios não apresentavam elementos formais como assinatura, timbre ou identificação dos responsáveis e chegaram a ser classificados como documentos de trabalho sem valor probatório.
Em resumo: ao perceber que estava sendo monitorado, Mendonça passou a restringir o uso de celulares em reuniões privadas e adotou medidas para dificultar possíveis escutas. Depois, levou o caso para dentro do próprio STF e determinou o afastamento da cúpula da PF envolvida na questão.

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