Em seu relato, ele afirma que tudo aconteceu durante o período que antecedia o Carnaval. Na ocasião, fazia o transporte de integrantes de uma escola de samba que havia participado de um desfile no bairro Alecrim. Segundo o motorista, sua função era buscar os componentes e levá-los de volta após a apresentação, iniciando o trajeto logo depois de sair da garagem.
Ele relembra que o trecho do Baldo sempre foi considerado um dos mais complicados da capital potiguar. De acordo com o depoimento, a via possuía uma longa descida seguida por uma subida bastante acentuada em direção à Cidade Alta. Além disso, a iluminação era precária, dificultando ainda mais a visibilidade. O motorista também afirma que não conhecia bem aquela região, fator que teria aumentado a dificuldade durante o percurso.
Ainda conforme sua versão, a situação se agravou quando outra escola de samba e a banda de música da Polícia Militar chegaram ao local, provocando um grande aumento na movimentação de veículos e pedestres.
O motorista relata que, em determinado momento, um Fusca atravessou inesperadamente à frente do ônibus, obrigando-o a fazer uma manobra brusca para evitar a colisão. Ele diz que conseguiu desviar do automóvel, mas logo em seguida outro veículo realizou uma manobra de ré, reduzindo ainda mais seu espaço de reação. Foi nesse instante, segundo ele, que percebeu a grande quantidade de pessoas na via e não conseguiu impedir a tragédia.
O acidente do Baldo permanece na memória dos potiguares como um dos episódios mais trágicos já registrados em Natal. Após permanecer foragido por quase 40 anos, o motorista decide agora apresentar sua narrativa sobre o ocorrido. Apesar de sua versão, as circunstâncias do acidente, bem como as responsabilidades pelo caso, foram investigadas pela Justiça ao longo dos anos.
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