Tanto o MPRN como a Vigilância Sanitária de Mossoró já haviam realizado visitas técnicas ao local e identificado graves irregularidades. As inspeções e relatórios lavrados pelos órgãos de fiscalização constataram um cenário de desconformidades administrativas, sanitárias e jurídicas no funcionamento do estabelecimento.
Assistência imediata
O MPRN destacou ainda uma equipe técnica composta por assistentes sociais e assessores jurídicos para atuar diretamente na assistência às pessoas acolhidas. As equipes do MPRN realizaram escutas individuais e reservadas com as residentes, prestando orientações sobre a voluntariedade do acolhimento a ser realizado e coletando dados para a garantia de seus direitos. As pessoas que estavam na clínica de reabilitação receberam atendimento médico, psicológico e foram encaminhadas para outros equipamentos da rede.
Situação
De acordo com os relatórios técnicos, a clínica operava sem o devido alvará sanitário e sem a autorização do Corpo de Bombeiros, além de não possuir registro no Conselho Municipal de Saúde nem ter realizado as comunicações obrigatórias aos órgãos públicos de políticas sobre drogas e assistência social.
As vistorias revelaram ainda divergência entre os serviços anunciados na proposta comercial da entidade e a estrutura encontrada no local. A proposta vendida pela clínica previa profissionais de enfermagem e terapia 24 horas por dia, nutricionista e equipe de segurança. No entanto, foi constatado que a vigilância do ambiente ficava delegada às próprias moradoras chamadas de “monitoras”.
Além disso, os relatórios registraram a permanência de acolhidas sob a justificativa de “internação involuntária” e “internação compulsória”, prática vedada para comunidades terapêuticas pela legislação federal e pela Resolução CONAD nº 1/2015, que exigem a adesão voluntária do acolhido. Também foi constatada a restrição da privacidade das residentes, cujas ligações de vídeo e encontros com familiares eram supervisionados de forma contínua pela direção. (Fonte: MPRN).



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