Na imagem, duas mulheres aparecem segurando um cartaz com símbolos associados à conscientização sobre o autismo e a expressão “Mãe de Autistas”. Entretanto, a mensagem também traz palavras de baixo calão e uma referência agressiva a bolsonaristas e publicado em algumas pagina de pessoas que deveriam da exemplo.
O conteúdo provoca uma reflexão que vai muito além das preferências partidárias: como alguém pode defender o respeito às diferenças e, ao mesmo tempo, utilizar ofensas contra pessoas simplesmente por pensarem diferente?
A luta pela inclusão, pelo reconhecimento e pelos direitos das pessoas autistas é uma causa legítima, que merece respeito e apoio de toda a sociedade. Justamente por sua importância, essa bandeira não deveria ser utilizada como instrumento de hostilidade ou ataques generalizados em disputas políticas.
É contraditório cobrar sensibilidade, empatia e respeito da sociedade enquanto se exibe publicamente uma mensagem que desrespeita um grupo de pessoas por suas convicções políticas. (VEJA O QUE DIZIA LULA)
Não é necessário concordar o Bolsonaro, com seus apoiadores ou com qualquer outro grupo político para reconhecer que o respeito deve ser uma via de mão dupla.
A democracia garante o direito de manifestação, de protesto e de crítica. Mas existe uma diferença entre discordar de ideias e recorrer a expressões ofensivas contra quem as defende.
O episódio também levanta uma questão importante: que exemplo de convivência democrática estamos transmitindo quando símbolos de uma causa tão importante quanto a inclusão das pessoas autistas aparecem ao lado de mensagens agressivas?
Respeito não pode ser seletivo. Empatia não pode depender de preferência partidária. E tolerância não pode ser uma exigência dirigida apenas aos adversários.
O Brasil já enfrenta uma polarização política intensa. Alimentar essa divisão com insultos não contribui para o diálogo, não fortalece causas sociais e tampouco ajuda a construir uma sociedade mais justa e inclusiva.
É preciso deixar claro que o conteúdo de um cartaz não representa, necessariamente, o pensamento das mães de autistas, das famílias ou das entidades que lutam diariamente pelos direitos dessas pessoas.
A crítica é direcionada exclusivamente à mensagem ofensiva exibida durante a movimentação em Assú.
Quem exige respeito precisa também respeitar. Quem defende tolerância precisa praticá-la. Afinal, não se combate a intolerância com mais intolerância.
A verdadeira inclusão começa quando aprendemos a conviver com as diferenças, inclusive com aquelas que contrariam nossas próprias convicções.
Focoelho — Saiu no Focoelho!

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