A jornalista Maria Baronova renunciou ao cargo de
editora-chefe do Russia Today, uma operação de TV e outras mídias estatais
também conhecida como RT, ligada ao presidente russo, Valdimir Putin, na semana
passada, depois de condenar a invasão da Ucrânia pelass forças da Rússia. Maria
disse estar ciente de que manifestações contra o Kremlin não costumam passar em
branco.
"O problema é que eu conheço essas pessoas muito bem.
Eles nunca enviam ameaças, eles apenas matam, então há um silêncio estranho ao
meu redor, mas eu realmente acho que estamos à beira de uma guerra nuclear
agora. Não estou exagerando", disse Maria à Fox News Digital de Moscou,
por meio de uma ligação do WhatsApp.
"Eu tenho um filho, não posso sair porque o pai dele
não me permite sair do país com ele, então prefiro ficar em Moscou... Parece
que estamos na Coreia do Norte ou seremos mortos por um cogumelo termonuclear.
Eu não desistiria e não perderia o meu salário e o meu emprego se tivesse
certeza de que continuaríamos vivos por muitos anos, mas realmente não sei o
que acontecerá com todos nós a seguir", continuou ela.
Enquanto muitas pessoas ao redor do mundo estão seriamente
preocupadas com o risco mde Putin recorrer a armas nucleares, Maria teme que o
comportamento do presidente torne a Rússia o alvo de um ataque atômico
catastrófico primeiro.
"Suspeito de que o mundo ocidental vai usá-lo. Esta é
uma situação muito perigosa", finalizou a jornalista.
Antes de se juntar à RT, Maria chegou a ser presa por
oposição ao governo. Ela trabalhava na Rain, o principal canal de TV
independente da Rússia e famoso crítico de Putin.
Em 2019, entretanto, ela acabou indo trabalhar na mídia
estatal, sendo acusada de trair o movimento oposicionista.
"As pessoas se sentiram traídas quando decidi me
juntar ao RT. Mas decidi de propósito para ter uma conversa razoável com as
pessoas que estão no poder agora na Rússia", explicou ela.