A política tem memória — e, em Assú, muita gente ainda se lembra de uma época em que conseguir atendimento médico significava enfrentar uma verdadeira peregrinação.
Durante os anos em que Ivan Lopes Júnior esteve à frente da Prefeitura de Assú, moradores relatavam a necessidade de chegar de madrugada ao Centro Clínico para tentar conseguir uma ficha para consulta ou exame. Há relatos, inclusive, de pessoas que precisavam dormir na fila e na calçada para ter alguma chance de atendimento.
Esse passado volta ao debate justamente quando Ivan Júnior tenta novamente conquistar espaço na política estadual como candidato a deputado.
A pergunta que fica é simples: quem pretende pedir novamente o voto da população precisa também prestar contas do passado administrativo.
E não se trata apenas de lembranças ou críticas políticas.
Em maio de 2026, o Tribunal de Contas da União manteve a condenação de Ivan Lopes Júnior em processo relacionado à aplicação de recursos federais destinados ao SUS em Assú. Segundo a decisão, foram identificadas irregularidades em contratações e pagamentos relacionados ao Programa de Tratamento do Glaucoma. O TCU manteve a condenação e aplicou multa de R$ 5 mil. VEJA AQUI
O processo apontou, entre outras irregularidades, contratação de serviços sem respaldo contratual, pagamentos sem prévia dotação orçamentária ou empenho e pagamentos realizados sem a devida conferência da execução dos procedimentos. O tribunal também registrou problemas relacionados à estrutura física e ao alvará sanitário da unidade que prestava os serviços.
Outro processo do TCU também havia condenado Ivan Júnior por irregularidades envolvendo recursos federais destinados à recuperação de infraestrutura e construção de moradias após desastres naturais. Segundo a decisão divulgada, o tribunal determinou ressarcimento superior a R$ 6,6 milhões aos cofres públicos.
Diante desse histórico, o eleitor assuense tem todo o direito de fazer uma comparação entre o discurso atual e aquilo que efetivamente ocorreu durante a desastrosa gestão de Ivan Junior em Assú.
É fácil aparecer em palanque prometendo um futuro melhor. Mais difícil é explicar o passado.
Para quem pretende ocupar novamente um cargo público, as filas do Centro Clínico, as reclamações da população e as decisões dos órgãos de controle não podem simplesmente ser apagadas da memória.
Ivan Júnior pode apresentar suas justificativas e sua defesa sobre as decisões judiciais e administrativas. Mas o eleitor também pode perguntar: se a gestão do passado deixou tantas perguntas, por que deveria receber novamente um voto de confiança para administrar o dinheiro e os serviços públicos?
A eleição passa. O voto passa. Mas a história administrativa fica.













