sábado, 18 de abril de 2026

Aliança com Pé Frio Agita Afonso Bezerra

A política de Afonso Bezerra assistiu, nos últimos dias, a um movimento que desafia tanto a lógica das alianças quanto a memória do eleitorado. O prefeito Haroldo de Jango, em uma manobra que transita entre o desespero de palanque e o pragmatismo cego, abriu as portas de seu grupo para o famoso Pé Frio — figura que carrega consigo o folclórico, porém pesado, epíteto de "Pé Frio".

O que se vê não é uma união de projetos por um município melhor, mas uma aritmética de conveniência que ignora a coerência ideológica. Haroldo, ao abraçar o ex-candidato, parece acreditar que a política é um jogo de soma simples, onde qualquer adesão é lucro. No entanto, esquece que certas alianças subtraem mais credibilidade do que somam votos.

A chegada do Pé Frio ao governismo soa como um recibo de insegurança da atual gestão. Por que buscar o apoio de quem, historicamente, esteve do outro lado e carrega o estigma da derrota? Para o povo, a mensagem é clara: o "bonde" de Haroldo de Jango agora aceita passageiros de qualquer origem, desde que ajudem a manter o status quo.

Resta saber se o apelido fará jus à fama no próximo pleito. Se a política é destino, Haroldo pode estar importando para dentro de seu quintal justamente o elemento que faltava para esfriar o entusiasmo de sua base. Em Afonso Bezerra, o jogo esquentou, mas o risco de um "resfriado" político nunca foi tão real.

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