quinta-feira, 6 de agosto de 2026

SE FOI CONDENADO, QUAL É A MORAL E O EXEMPLO IVAN JÚNIOR TEM PARA CRITICAR OUTRAS CIDADES?


O ex-prefeito de Assú e pré-candidato a deputado estadual Ivan Júnior tem feito críticas à administração de outros municípios. Mas, diante desse discurso, surge uma pergunta que merece ser feita: qual é a moral para apontar problemas na gestão alheia quando o próprio município que administrou deixou uma série de questionamentos que ainda hoje fazem parte da memória da população?

Em Assú, durante períodos da gestão de Ivan Júnior, moradores enfrentaram dificuldades para conseguir atendimento na área da saúde. Entre as reclamações que ficaram marcadas está a necessidade de pessoas chegarem de madrugada e enfrentarem filas para conseguir uma ficha e tentar marcar uma consulta no Centro Clínico.

Para quem viveu aquela realidade, a pergunta é inevitável: antes de apontar o dedo para a gestão de outra cidade, não seria necessário olhar primeiro para o próprio passado administrativo?

E não se trata apenas de lembranças ou críticas políticas. O nome de Ivan Lopes Júnior também aparece em processos no Tribunal de Contas da União relacionados à Prefeitura de Assú. Em decisão do TCU, foram analisadas irregularidades na aplicação de recursos do Termo de Compromisso nº 42/2009, destinados a ações emergenciais após fortes chuvas no município.

O caso envolve recursos públicos e merece ser lembrado justamente quando o ex-prefeito assume o papel de crítico de administrações de outras cidades.

A questão não é impedir Ivan Júnior de fazer oposição ou apresentar sua visão sobre os problemas dos municípios. Todo político tem esse direito. Mas, quando se decide cobrar gestores públicos, também é legítimo que a população cobre coerência, transparência e que o político explique os problemas e questionamentos relacionados às administrações que comandou.

A política não pode funcionar com dois pesos e duas medidas: quando é na cidade dos outros, tudo vira motivo de crítica; quando se trata da própria história, o assunto não pode ser simplesmente esquecido.

Antes de criticar a gestão alheia, talvez seja hora de Ivan Júnior responder à população de Assú: o que ele tem a dizer sobre as filas, as dificuldades enfrentadas pelos usuários da saúde e os questionamentos levantados pelos órgãos de controle sobre recursos públicos durante sua passagem pela Prefeitura?

Porque, para quem pretende voltar ao cenário eleitoral e pedir novamente o voto da população, o passado também precisa entrar no debate.

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