O governo dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (4) que manteve diálogo com o Brasil durante várias semanas e ofereceu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "todas as oportunidades para fazer a coisa certa" antes de decidir revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A declaração foi feita por um alto funcionário do Departamento de Estado, em meio ao agravamento da crise diplomática entre os dois países.
Segundo a autoridade americana, a medida foi adotada em caráter de reciprocidade, após o governo brasileiro retardar a concessão do agrément — aprovação diplomática necessária para a posse do indicado pelo presidente Donald Trump como novo embaixador dos Estados Unidos em Brasília — e também negar vistos a diplomatas norte-americanos.
O porta-voz fez questão de destacar que a revogação do visto não significa que a embaixadora tenha sido declarada "persona non grata" ou expulsa do país. De acordo com ele, a diplomata permanece nos Estados Unidos e o visto poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o agrément ao indicado da Casa Branca.
Ainda conforme o Departamento de Estado, "opções diplomáticas adicionais permanecem sobre a mesa" caso Brasília continue adiando ou recusando a aprovação do representante escolhido por Trump. A administração americana reforçou que considera um direito soberano do presidente dos Estados Unidos indicar seus representantes diplomáticos e rejeitou qualquer tentativa de governos estrangeiros de interferirem em assuntos internos do país.
Apesar do endurecimento da postura, o governo dos EUA afirmou que continua valorizando a relação bilateral com o Brasil e disse esperar que o impasse seja resolvido para que os dois países retomem uma relação diplomática considerada "normal, produtiva e transparente".
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