Enquanto milhares de famílias lidam diariamente com o desemprego, a carestia e a precariedade dos serviços públicos, a Câmara Municipal, com o aval imediato do Executivo, garante um benefício milionário para quem já recebe salários acima da média da população. A pergunta que ecoa nas ruas é simples e direta: onde está a prioridade com o povo?
O que mais causa indignação não é apenas o valor do auxílio, considerado abusivo diante da realidade econômica local, mas a velocidade relâmpago com que a lei foi aprovada e sancionada. Projetos que tratam de saúde, educação, assistência social e geração de emprego costumam enfrentar entraves, pareceres, prazos e silêncio. Já quando o assunto é benefício para a classe política, a caneta corre solta.
Os vereadores, que deveriam fiscalizar e representar os interesses da população, optaram por legislar em causa própria, demonstrando completo descolamento das dificuldades enfrentadas pelo cidadão comum. O prefeito Haroldo de Jango, ao sancionar a lei sem qualquer sinal de diálogo com a sociedade, assume o protagonismo de uma decisão que fere o princípio da moralidade administrativa e afronta o sentimento popular.
Afonso Bezerra não precisa de privilégios. Precisa de investimentos, respeito e políticas públicas eficazes. A sanção desse auxílio deixa claro que, para a atual gestão e para a maioria do Legislativo, o prato cheio é o do poder — não o do povo.

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