A Missão do 007 da Flor do Sertão e do Gato PretoEra uma noite escura, dia de Finados, sem Wi-Fi em Afonso
Bezerra. As ruas dormiam, mas dois heróis improváveis estavam em campo: o 007
da Flor do Sertão, com seu olhar clínico e faro de denúncia, e o misterioso
Gato Preto, um agente das sombras que não mia — mas observa.
Ambos decidiram unir forças para investigar um assunto
cabeludo (ou melhor, peludo): os bastidores da República de Jango, onde a
segurança pública anda mais sumida que o salário dos servidores. Não falo aqui
da falta de trabalho desses valorosos profissionais, mas da falta de assistência do ente público
municipal que parece não se importar com a dignidade desses trabalhadores!
Com seus disfarces impecáveis — óculos escuros e caderneta
de anotações emprestada da secretaria de comunicação — os dois começaram a
seguir o braço direito do governo municipal. E o que descobriram... olha, foi
de cair o queixo e perder a fé.
Segundo os relatórios secretos (e cheios de café), a
segurança pública de Afonso Bezerra virou uma espécie de reality show de
terror:
Antes, os policiais militares tinham apoio, refeição,
estrutura... hoje, mal têm energia pra continuar acreditando. Dizem que, se
depender da ajuda da prefeitura... coitado da segurança da cidade.
E o que dizer das câmeras de segurança da cidade?
Pois é — as que deveriam proteger o povo agora estão sob
senha exclusiva de uma alma iluminada, escondida em local secreto, digna de um
filme da CIA de quinta categoria. Só ela tem o login, a senha e a visão
privilegiada da cidade.
Enquanto isso, a Guarda Municipal e a Polícia Militar
ficaram a ver navios (ou seria os crimes?).
“Parece piada”, comentou o Gato Preto.
“Parece gestão”, corrigiu o 007 da Flor do Sertão.
"Nova História" disse um dos informantes que
ouvia a conversa.
Os dois, indignados, decidiram fazer uma visita surpresa à
base da Guarda Municipal. À primeira vista, o prédio é bonito — digno de foto
em inauguração e post com legenda de autoelogio. Mas por dentro...
“Bonito por fora, desespero por dentro”, anotou o 007.
“Parece o discurso de campanha”, respondeu o Gato, afiando
as garras.
Lá dentro, nada de conforto, nada de dignidade.
Cama? Nem pensar.
Refeitório? Só se for imaginário.
Com muito custo, entregaram um colchão velho, o lendário
“couro de rato”, para que os guardas pudessem descansar entre uma ocorrência e
outra. Se deitarem ali, correm o risco de acordar com a coluna pedindo
aposentadoria imediata.
No relatório final da dupla, ficou registrado:
“Urgente! Que devolvam o acesso integral das câmeras à
Guarda Municipal, que é quem realmente deve monitorar a cidade. E que a
prefeitura volte a dar condições dignas a quem protege o povo — não a quem
protege a própria imagem.”
Missão concluída (por enquanto).
O 007 da Flor do Sertão e o Gato Preto seguem nas sombras,
prontos para a próxima operação.
Dizem que a próxima missão é descobrir onde foi parar o bom
senso da República de Jango — mas essa, pelo visto, nem as câmeras com senha
exclusiva conseguem localizar.