“Ou chegamos a um bom acordo ou eu os mandarei para o inferno”, disse Trump, segundo a Axios.
O americano tem oscilado entre os dois polos da diplomacia e do ataque militar desde que um cessar-fogo foi declarado há seis semanas para permitir que as partes chegassem a um acordo. Os entraves seguem sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota crucial de fornecimento de petróleo e gás atualmente controlada por Teerã.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, por sua vez, disse que havia uma chance de o Irã aceitar as tratativas pôr fim ao conflito no Oriente Médio.
Irã também eleva o tom
Em Teerã, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, alertou para uma resposta “esmagadora” caso o presidente americano Donald Trump “cometa outro ato de loucura e reinicie a guerra”.
“Se atacarem o Irã novamente, [o resultado] certamente será mais devastador e amargo para os Estados Unidos do que no primeiro dia da guerra”, publicou Qalibaf, que também é porta-voz do Parlamento iraniano, nas redes sociais.
Qalibaf divulgou essas declarações após se reunir com o chefe do exército paquistanês, o marechal de campo Asim Munir, figura-chave nos esforços internacionais para alcançar uma solução negociada para o conflito, que chegou à capital iraniana na noite de sexta-feira.
Em conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, reclamou das “posições contraditórias e das repetidas exigências excessivas” de Washington, segundo as agências de notícias Tasnim e Fars.
Esses fatores “prejudicam o processo de negociação conduzido sob mediação paquistanesa”, afirmou o ministro iraniano. “Apesar de sua profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos, a República Islâmica do Irã tem participado do processo diplomático com uma abordagem responsável e a máxima seriedade, buscando alcançar um resultado razoável e equitativo”, acrescentou.
De acordo com a agência de notícias iraniana IRNA, o chefe do exército paquistanês, que tem desempenhado um papel proeminente nos esforços de reaproximação, conversou com Araqchi até as primeiras horas de sábado sobre os “mais recentes esforços e iniciativas diplomáticas com o objetivo de evitar uma escalada ainda maior”.
‘Divergências profundas’
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, já havia alertado que as divergências com Washington permanecem “profundas”.
Ele afirmou que questões relacionadas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a situação no Estreito de Ormuz, o bloqueio americano aos portos iranianos e a questão nuclear permanecem “sem solução”.
O Catar, que foi severamente afetado pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, e outros países da região também intensificaram os esforços de mediação alternativa. Teerã confirmou a visita de uma delegação da monarquia na sexta-feira.
Estadão com AFP

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